História da Rocinha


  • Enviar por e-mail
    Enviar por e-mail
    Para múltiplos destinatários separe os e-mails por vírgula.
  • Salvar em PDF


Favela da Rocinha - foto: Leandro LimaFavela da Rocinha, anos 2000 - foto: Leandro Lima

A ocupação da Favela da Rocinha teve início pela parte alta do morro, onde está situada a Rua 1, e espraiou-se em direção à antiga praia da Gávea, atual praia de São Conrado. O museu da Rocinha, Sankofa: Memória e História da Rocinha, guardava registros em seu acervo que demarcavam a ocupação da região desde a década de 1920. Esses dados foram atualizados e retrocederam para o ano de 1905, segundo a tese de doutorado da historiadora Mariana Costa (2019).


O desenvolvimento da Rocinha aconteceu, principalmente, quando os trabalhadores das fábricas de tecidos da região da Gávea trocaram os subúrbios onde moravam por moradias mais próximas ao local de trabalho e, de passagem, foram dando nomes ao território: Dioneia, Jaqueira, Pocinho, Macega, Terreirão, Rua 1, Cesáreo, Pastor Almir, Sansão, etc. Era o início de um movimento de crescimento populacional que atravessaria o século XX.


Quanto ao seu processo expansão, “ocorreu nos anos de 1960, com a remoção de outras favelas da zona sul da cidade e com a chegada dos imigrantes” (LIMA, 2008, p. 26). O governo do estado realizou, em 2010, o censo na comunidade para subsidiar as ações do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, que registrou 101 mil habitantes, contra 67 mil computados pelo IBGE (2010).


Situada na zona sul carioca, entre os bairros Gávea e São Conrado, a Rocinha foi transformada em bairro na década de 1990, por decreto da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, criando a 27ª Região Administrativa.


As várias tentativas de remoção ao longo de sua história, que vão desde os governos de Carlos Lacerda (1960) a Negrão de Lima (1965), chegando a Luiz Paulo Conde (1997) e Eduardo Paes (2009-2017), também foram importantes para formar as novas identidades, num amálgama, do que veio a ser a Favela da Rocinha. Uma identidade que se construiria a partir da luta comum com bases nas incertezas dos anos anteriores, pois são “retiráveis”, tomando de empréstimo a Agamben (2002) e os “matáveis”, outrora retirantes, migrantes – ribeirinhos, lavradores, indígenas, quilombolas –, favelados.


As pesquisas recentes, construídas apoiadas em um olhar “interno” e crítico, levantam novas questões não apenas sobre a Rocinha, como também das demais favelas do Brasil, a saber: quem datou as favelas, com que participação e com quais critérios? Quem definiu o que é a favela? Seria ela um processo histórico de aldeamento, um aquilombamento, um aglomerado subnormal, um ajuntamento marginal ou um modo de vida e de sociabilidade? 

 

Pesquisa: Fernando Ermiro da Silva. Doutorando do Programa de Memória Social e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pelotas. Coordenador do museu Sankofa memória e história da Rocinha.


Bibliografia:


AGAMBEN, Giorgio. Homo sacer: o poder soberano e a vida nua. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2022


COSTA, Mariana Barbosa Carvalho da. A Rocinha em construção: a história social de uma favela na primeira metade do século XX / Mariana Barbosa Carvalho da Costa; orientador: Leonardo Affonso de Miranda Pereira. – 2019.


LIMA, José Luiz de Souza. Empreendedorismo social: uma perspectiva de cidadania social e uma alternativa de trabalho e renda nos espaços populares / José Luiz de Souza Lima; orientador: Marcelo Tadeu Baumann Burgos. – 2008. Dissertação (Mestrado em Sociologia e Política) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.


SILVA, Fernando Ermiro da. Livro varal de lembranças da favela da Rocinha: o processo de percepção dos moradores e sua construção identitária / Fernando Ermiro da Silva. – 2021. Dissertação (Mestrado) – Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais. Orientador: Celso Castro.



Para conhecer outros aspectos históricos da Favela da Rocinha basta acessar o Museu Sankofa: Memória e História da Rocinha