Alunos que integram o projeto com o operador da Torre Verde, Giliard BarretoNa contemporaneidade, questões relacionadas ao meio ambiente passaram a pautar as discussões políticas pela preocupação que o tema desperta em especialistas e autoridades pelo mundo. Não à toa, os tratados assinados em conferências ambientais tornaram-se determinantes para as parcerias econômicas entre países - caindo em exigência o compromisso de reduzir os resíduos poluentes em escala global.
Enquanto as lideranças políticas discutem medidas futuras para proteção dos ecossistemas, a desigualdade socioambiental compromete a qualidade de vida nos territórios de periferia que carecem de soluções urgentes para os problemas causados, principalmente, pela ausência de serviços públicos de saneamento básico e coleta de lixo.
Nesse contexto, o Programa Favela Inteligente em apoio as bases do Parque de Inovação Social e Sustentável na Rocinha - financiado pela FAPERJ - surge como um incentivo aos coletivos e instituições que trabalham para mitigar os problemas socioambientais que afetam diretamente a salubridade nas favelas e periferias.
Entre essas iniciativas destaca-se a primeira Torre Verde do Brasil que foi inaugurada na favela da Rocinha no dia 30 de novembro, viabilizada com apoio técnico da ONG Entrelaces, Azevedo Agência de Arquitetura, Impacto Insolar Painéis Solares, Atuação Ambiental AMB&TECH, Aceleradora de Compostagem DarVida, Cooperativa Popular Amigos do Meio Ambiente (Coopama), Minha Coleta logística de resíduos e Instituto Tamo Junto Rocinha.
A Torre Verde_Rocinha, que está situada na curva do S junto às escolas municipais Luiz Paulo Horta e CIEP Doutor Bento Rubião, é um equipamento de inovação tecnológica e economia circular que envolve geração de energia verde através de 8 placas solares, captação de água de chuva, 4 andares de horta suspensa e uma aceleradora de compostagem que consegue transformar 15 quilos de resíduos orgânicos em adubo no tempo de 45 minutos.
A diretora da Entrelaces, Monica Garcia, destacou que o trabalho desenvolvido pelo projeto está integrado com as escolas que acolheram o equipamento, numa dinâmica pedagógica em que os alunos aprendem todo o processo de economia circular. “o tour com os alunos começa dentro da sala de compostagem. É lá que eles veem os resíduos orgânicos sendo transformados em adubo; o adubo sendo trazido para as jardineiras; e tudo isso sendo transformado em comida” - Contou Monica.
Nessa parceria com as escolas, a Torre Verde recebe diariamente três turmas para o desenvolvimento de atividades que têm como fundamento os 3R’s da sustentabilidade: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Para Giliard Barreto - operador da Torre Verde - esse envolvimento diário no ciclo da horta comunitária “faz com que as crianças se tornem cada vez mais íntimas do meio ambiente”.
O papel pedagógico do projeto também foi enfatizado por Gustavo Cunha - responsável pela projeção das jardineiras - que falou sobre a importância de trabalhar com o material descartável com as crianças para mostrar a circularidade dos processos da reciclagem como valor educativo e social.
A proposta da implementação da Torre Verde_Rocinha como modelo de programa a ser replicado em outras regiões do Brasil vai ao encontro da perspectiva de Paulo Protásio - diretor da Autoridade de Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro - que vislumbrou no equipamento a capacidade para “produção de uma séria de soluções importantes para comunidades como essa”. Protásio especulou sobre a possibilidade de uma parceria público-privada para multiplicar o projeto da Torre Verde como uma ação simbólica da Agenda Rio 2030.
Texto: Cleber Araujo
Foto: Azevedo Agência de Arquitetura